As rosas têm a reputação de serem aristocratas caprichosas, mas o seu silêncio – a falta de florações exuberantes – é muitas vezes o resultado não da ignorância de regras complexas, mas da ignorância de alguns princípios fundamentais.
Estas plantas estão prontas a agradecer generosamente os cuidados, mas nem toda a gente compreende a sua linguagem, tomando os luxuosos arbustos dos centros de jardinagem como garantia de sucesso, relata o correspondente do .
Entretanto, mesmo a plântula mais elitista pode ficar parada durante anos se não entrar nas condições que silenciosamente pede. A primeira e mais importante palavra neste diálogo é “sol”.
As roseiras precisam de pelo menos 6 a 8 horas de luz direta e não difusa por dia, e nenhuma quantidade de alimentação compensará a plantação à sombra de uma casa ou debaixo de uma árvore. A segunda palavra é “ar”, cuja livre circulação pelas folhas evita o aparecimento de oídio e de pontos negros, mas o local deve ser protegido das correntes de ar que circulam pelo sítio.
A terceira palavra é “espaço”: a plantação em multidão para obter um efeito decorativo momentâneo conduz à competição das raízes e às doenças. O erro clássico de plantar uma rosa na entrada da casa, onde foi beijada pelo sol da manhã mas coberta pela sombra do alpendre durante a tarde.
O arbusto viveu, mas recusou-se a florescer até que o dei a um amigo e plantei uma hortênsia tolerante à sombra no seu lugar. O novo proprietário colocou a pobrezinha no meio do relvado e, no verão seguinte, produziu uma dúzia de copos perfumados, como que a agradecer-me por a ter libertado.
Cuidar de rosas é como cuidar de atletas campeões: precisam de uma dieta equilibrada e de um regime de treino competente. A fertilização com azoto na primavera dá início ao crescimento dos rebentos, os fertilizantes de potássio e fósforo no verão apoiam a floração e os fertilizantes de potássio no outono preparam para o inverno.
A poda é a modelação do arbusto, o seu rejuvenescimento e a sua higienização, sem a qual a planta se tornará rapidamente numa selva estéril de ramos velhos e doentes. A compreensão destas regras simples mas rígidas faz com que os cuidados deixem de ser um ritual místico e passem a ser uma estratégia com sentido.
Quando deixamos de ver a rosa como um mistério e passamos a ver as suas necessidades vivas, ela responde-nos não só com flores, mas com uma verdadeira sinfonia de cores e de perfumes. Este retorno é a melhor gratidão da planta, que o reconhece não como um transeunte qualquer, mas como um verdadeiro mestre e criador.
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